sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um breve ensaio entre Jung e o Vinho.



Tanto Jung e o Vinho têm suas particularidades, a começar pelas nomenclaturas em sua obra e no vinho para entendê-lo.
Jung usa expressões como persona, sombra, anima, arquétipos, enquanto o vinho para entendê-lo usa-se palavras como robusto, sápido, vigoroso, franco.
O que os dois têm em comum?
Jung pesquisou incessantemente todas as religiões, considerando que todas eram tentativas respeitáveis da necessidade do homem ter diante de si a imagem de um Deus a quem adorasse e que o protegesse, sem falar na sua introspecção.
Muitas vezes ouvimos dizer a respeito de vinhos de meditação, geralmente para aqueles momentos especiais, o nome meditação já diz o motivo.
Quantas vezes ao beber um bom vinho, acompanhado ou só, parece que ele abre as comportas da sensibilidade sensorial, que Jung chamaria de confronto com o inconsciente.
Tive vontade de escrever esse ensaio despretensioso inspirado em um livro que estou lendo chamado Memórias, Sonhos e Reflexões de Carl Gustav Jung, nessas incursões de variedades que me disponho fazer, aliado principalmente ao meu amor pelo vinho.
O vinho proporciona para o seu apreciador um dado de experiência, uma presença existencial a si mesmo no seu relacionamento com o mundo. Essa é mais uma de suas particularidades, que Jung chama de processo de individuação.
Quando levamos a taça ao nariz, despertamos a nossa memória olfativa, geralmente algum aroma que nos marcou e está registrado na memória celular, parte de uma experiência vivida, que em PNL ( Programação Neuro-Linguística) chama-se âncora.
Essa experiência positiva, prazerosa, o vinho remete de uma maneira ímpar, pois levamos dentro de nós a lembrança de uma fruta, de um momento, daquele dia que jamais esqueceremos. Uma bela paisagem pode ser evocada com delicados aromas, suaves coloridos, procurando guardá-lo de alguma maneira.
“Ele olhou sua alma através de um telescópio. O que parecia irregular eram belas Constelações: então acrescentou à consciência mundos ocultos dentro de outros mundos.”Coleridge, Anotações.
Sempre quando nos deparamos com uma garrafa de um vinho elogiado ou indicado, ao abrí-lo, procuramos conservar a vitalidade do imprevisto, mas preservando, também, a continuidade do momento. Mantermos dispostos para o novo, abdicando de artifícios, abolindo a parafernália, do produto oco, sabendo que um vinho, sendo uma obra de arte, a cada década nos oferece uma nova análise, uma nova concepção, uma fonte inesgotável de mistério, fascinação e prazer.

Autor: Leandro Matos Maranhão
Sommelier, Executive Coach e Consultor em PNL

Obs: Não sou psicólogo, esse texto é uma analogia entre um pouco da obra respeitável de Carl Gustav Jung e minhas impressões como sommelier no mundo do vinho.

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